Floydianos
A
história do Rock Psicadélico surge
nos E.U.A. e em Inglaterra, mais ou menos ao mesmo tempo. A vontade
de mudança da geração de 60, aliada à
descoberta da droga sintética L.S.D., foram
a chave para que toda a geração ‘flower
power’ percebesse a nova dimensão que o mundo estava a
tomar, o formato das coisas que estavam para acontecer. Era um
portal para uma nova consciência, que revelava
variações da realidade imperceptíveis quando
sóbrio (totalmente desaconselhável, pois
revela-se extremamente nociva, como veremos mais à frente
neste artigo). Mais do que uma droga que apenas faz com
que o usuário se sinta bem, o L.S.D. tinha um
carácter de revelação, de
iniciação mística e espiritual, que fez com
que toda uma geração entrasse na mesma
sintonia.
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Ainda
assim, o Rock Psicadélico, seguiu diferentes
direcções nos dois lados do Atlântico. Enquanto
nos E.U.A. o rock visceral foi usado como ponto de partida, no
velho continente este partia do ponto de equilíbrio entre
‘mods’ e ‘rockers’, abraçando um
espectro amplo de informações. Assim, o movimento
psicadélico londrino englobou elementos que sua
versão americana nem pensaria em incluir, tais como:
‘country, soul, pop, folk, skiffle, rockabilly e
blues’, deixando simplesmente a criação fluir,
sem obstáculos ou
preconceitos.
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O melhor
exemplo será o marco de viragem dos
Beatles, a tríade Rubber Soul, Revolver e
Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, respectivamente 1965,
66 e 67, que marca a passagem da juventude mundial de um retrato a
preto e branco para uma paisagem tridimensional multicolorida,
colocando-a no centro do furacão, criando um universo
tão amplo quanto o que habitamos
hoje.
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Mas se os
Beatles tinham a responsabilidade de serem os líderes desta
geração (disfarçando suas mensagens em
títulos que soavam como piadas internas, sendo
Lucy in the Sky with
Diamonds o caso mais clássico), outros
grupos não estavam de todo preocupados em ser subtis. O mais
evidente de todos era Pink Floyd, cujas apresentações
ao vivo eram perfeitas para se viajar no ácido. Levados pelo
espírito inventivo e experimentalista que o ácido
proporcionava, eles levitavam o rock para uma realidade
desconhecida, andando no lado escuro do sonho que os Beatles
desenhavam.
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O grupo
Pink Floyd, foi criado em Londres, em 1965. Eram
apenas quatro membros (o guitarrista e vocalista Syd
Barrett, o baixista Roger Waters, o
teclista Richard Wright e o baterista Nick
Mason) que começaram como outra banda qualquer, mas
que, por influência das drogas sintéticas,
começaram a experimentar o som. À frente do grupo, a
figura de Syd Barrett era responsável pelos limites
explorados pelo grupo. Barrett era uma versão rock num misto
de Salvador Dali e Buda, liderando o grupo e os seus primeiros
fãs com a placidez de um líder religioso, mas com o
espírito inventivo e inovador que move a arte desde o
começo dos tempos. Introspectivo fora do palco, ele
entregava-se por inteiro quando submergia na
música.
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O grupo
teve vários nomes antes de se fixar como Pink Floyd, como
exemplo, Meggadeaths, Sigma 6,
Abdabs, sendo que, em cada uma deles foram
lapidando o som que mais tarde viria a ser o som dos Pink Floyd.
Até o nome que foi dado à banda, mostra o
nível de liderança que Barrett exercia sobre os
outros companheiros, pois foi tirado dos primeiros nomes dos seus
‘bluesmen’ favoritos, nomeadamente Pink Anderson e
Floyd Council.
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Como Pink
Floyd, o grupo saiu finalmente do circuito universitário,
actuando na noite londrina, sendo que, em pouco tempo se tornariam
nas referências dessa cultura nocturna londrina. Vivendo em
plena era ‘Swinging London’, a cidade assistia ao
nascimento da sua era psicadélica, à medida que as
cores apareciam e o volume dos sons aumentava, como se a
própria cidade tivesse ingerido L.S.D. Os ‘mods’
tornavam-se cada vez mais coloridos e os ‘rockers’ cada
vez mais barulhentos. A combinação de estilo com
ruído, assentava como uma luva às
apresentações dos Pink Floyd. Em casas de concertos
ao vivo como o Marquee, a Roundhouse e o U.F.O., caves na zona
velha, convertidas em ‘rockódromos’, eles
tocavam ‘rocks’ primitivos (como Louie Louie) em
versões caóticas, alternando com músicas
inéditas do Barrett, jóias ‘pop’
distorcidas. Ocasionalmente comportavam-se como uma banda
tradicional, experimentando em estúdio e no palco os limites
que poderiam ser encontrados entre refrãos,
introduções e solos. Outras vezes deixavam
simplesmente o instinto tomar conta em ‘jam sessions’
intermináveis, onde barulho e silêncio se encontravam
com instrumentos tocados de forma não convencional, efeitos
de som e de luz, projecção de slides,
sequências de notas heterodoxas, bem como a
repetição de ‘rifs’ levada ao seu
extremo.
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Gravaram
de forma independente o seu primeiro ‘single’, Arnold
Layne - Candy and a Current Bun, já demonstrando a
disposição de ir contra a corrente. No lado A, Syd
Barrett canta sobre o personagem do título, um sujeito cujo
‘hobby’ era roubar ‘lingerie’ nos varais da
vizinhança. O título do lado B teve de ser
mudado, pois o original, Let’s Roll Another One (Vamos
Enrolar mais Um), daria problemas com a polícia. Em ambas as
faixas, o experimentalismo sónico já estava à
vista, com efeitos sonoros, cadências estranhas, o estranho
cruzamento do som da guitarra Danelectro de Barrett (tocada aos
pedaços) com o som dos teclados de Wright, sobre a cozinha
anfetamínica de Waters e Mason. As
vocalizações de Barrett, chapadas e concentradas ao
mesmo tempo, contrapunham as melodias, quase infantis, das duas
canções. O single teve óptimo desempenho nos
‘tops’, atingindo o 20º posto em
Inglaterra.
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O
seguinte single, See Emily Play - Scarecrow, seguia o rumo do
primeiro, mas a regência já não era de Boyd, o
produtor do primeiro, mas de Norman Smith, engenheiro de som da EMI
que havia trabalhado em pelo menos quatro discos dos Beatles. Eles
foram levados para o mesmo estúdio de gravação
do grupo de Liverpool, após o seu primeiro contacto com o
empresário Peter Jenner, que passeava por
Londres à procura de uma banda que pudesse mudar
sua vida. Encontrou os Pink Floyd num concerto no Marquee Club e
resolveu transformá-los nos seus Beatles. Daí
até que estivessem a tocar no concerto de lançamento
do diário da revolução sonora londrina, o
International Times, foi um
instante.
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O nome do
grupo começava a crescer e eles fariam sua primeira
‘tourné’ pela Europa durante o Inverno de 1967.
Voltaram da Holanda, onde actuaram no Alexandra Palace, ainda a
tempo para se apresentarem como principal atracção do
mini festival 14 Hour Technicolor Dream, em Londres. A
consagração aconteceu no mês seguinte, no
espectáculo Games for May (cujo título foi tirado de
See Emily Play), no Queen Elizabeth Hall. O evento
multimédia colocava os Pink Floyd no centro das
atenções, entre música electrónica,
shows de luzes, projecções de imagens, incenso e a
estreia do ‘Azimuth Co-Ordinator’, o impressionante
sistema de som e efeitos sonoros do grupo, que trabalhava em
sistema quadrifónico. Estava na hora de entrar no
estúdio para gravar seu primeiro
álbum.
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Assim nascia The Piper at the
Gates of Dawn, cujo título havia sido tirado por
Syd Barrett, no livro infantil The Wind oh Willows. Gravado no
estúdio 1 do complexo da EMI (a que viria a ser
conhecida mais tarde como Abbey Road). O álbum foi
concebido, enquanto os Beatles terminavam o seu Sgt. Pepper's
Lonely Hearts Club Band, no estúdio ao lado, o 2. A
vibração psicadélica estava no ar e muitos
cogitam, a possibilidade de um disco ter influenciado o outro,
devido aos encontros esporádicos, entre Syd Barrett e John
Lennon nos corredores do estúdio. Liderado pelo mesmo Norman
Smith, de See Emily Play, The Piper at the Gates of Dawn, é
o disco simultaneamente mais pop e mais Psicadélico que a
história já viu.
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Lançado no dia 5 de Agosto de 1967, The Piper at
the Gates of Dawn foi, junto com seus contemporâneos (os
primeiros discos dos Doors, Frank Zappa, Velvet Underground, Beach
Boys…), ofuscado pelo lançamento de Sgt.
Pepper’s dos Beatles, que é inevitavelmente o disco
mais importante deste período. Depois do lançamento
do disco, Barrett começou a dar sinais de que a quantidade
de ácido que ingeria diariamente não estava a fazer
bem nenhum à sua cabeça. Pelo contrário,
estava a destruir o seu cérebro de génio, e teve que
ser afastado do grupo, devido aos seus longos momentos de
ausência que levaram mesmo a que metade da primeira
‘tourné’ americana tivesse que ser cancelada.
Não aparecia no concerto na data deste, ou quando aparecia,
estava num tal estado, que sentado no chão com o ar mais
ausente do mundo se limitava a arranhar a guitarra, bloqueando por
vezes a repetir a mesma nota durante 10 minutos ou mais. Foi
substituído por David Gilmour antes da
gravação do segundo álbum, A saucerful of
Secrets, editado em 1968, álbum que será a
próxima obra deste blogue.
Floydianos
Tens agora o
álbum na integra para poderes ouvir, ver as letras e, se
não souberes falar inglês, ver as letras traduzidas,
com a desvantagem que existe em qualquer tradução...
mas pelo menos ficas com uma ideia. Basta continuares a percorrer o
blogue.
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RB
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